Quem foi Émile Durkheim?


Porque ele é tão importante para a Sociologia?

Foi um dos primeiros a dizer como é e como funciona a sociedade.
Ele é considerado o Pai da Sociologia porque foi ele quem criou as regras de como se trabalhar cientificamente com a Sociologia. Elas estão descritas no seu livro “As regras do método sociológico”.
Foi ele quem disse que a Sociologia deve estudar dos chamados “Fatos Sociais”, que são acontecimentos:
a) Coletivos – que existem ou são feitos pela maioria. Exemplo: a maioria acha que saia (moda) é coisa pra mulher;
b) Coercitivos – que exercem certa obrigação em nós. Exemplo: se um homem quer se vestir de forma contrária ao que a maioria pensa (como o caso da saia ser coisa de mulher), sofrerá uma pressão dos demais;
c) Exteriores aos indivíduos – que o fato existe independente de um ou outro indivíduo ser contra. Exemplo: mesmo que um, ou alguns homens, queiram desafiar a maioria e passar a usar saia, isso não vai mudar o que pensa o coletivo maior que determina que saia é pra mulher.

Funcionalista:
Durkheim é uma pessoa funcionalista, e isso significa que na sociedade tudo deve cumprir uma determinada função para a saúde do todo.
Ou seja, para ele a Sociedade seria como um corpo humano, onde cada parte, ou órgão, deve cumprir sua função para a saúde do corpo.
Seria mais ou menos assim:
a) Os rins, do corpo humano, separam o que é bom do ruim e eliminam o ruim pela urina.
a1) A polícia seria o órgão da sociedade comparado aos rins. Ela deve prender o que for ruim e tirar de circulação da sociedade, deixando livre apenas o que for bom.

b) O cérebro é o que comanda o corpo humano todo.
b2) O Governo é o cérebro da sociedade. Se o governo for mau, todo o corpo da sociedade padecerá.

c) O Pulmão é por onde entra o “gás” que sustenta o corpo humano.
c1) A Escola/Educação tem a responsabilidade de dar um “gás” na formação dos indivíduos para que tenhamos uma sociedade com futuro.

d) Os órgãos reprodutores do corpo ajudam a perpetuar a espécie humana.
d1) A Família é responsável não só pela reprodução humana, mas também pela reprodução de caráter.

Já pensou se a polícia não prender, e o governo não governar, e a escola não educar/formar, e a família não reproduzir caráter de bem em seus membros, como seria a saúde da sociedade?


Tudo tem a ver com a sociedade:
Para ele até o suicida é influenciado pela sociedade. Segundo ele, podemos dizer que nós somos aquilo que a sociedade é, pois ela é quem nos molda.
Dito de outra maneira, quando nascemos não sabemos nada. Mas enquanto vamos vivendo na sociedade, vamos tomando o seu jeito (costumes, gostos, comida, roupas, idioma etc.)
É por isso que em cada lugar temos pessoas tão diferentes, mesmo dentro de um mesmo país.
O Gaúcho é brasileiro como o Baiano é. Mas cada um é do jeito que foi ensinado em sua cultura local, ou sociedade local.
Mas voltando ao suicídio, Durkheim disse que ele acontece impulsionado pela sociedade:
Ele classificou os suicídios em três categorias:
a) Altruísta – é aquele que se mata voluntariamente por uma causa. Os homens bombas, por exemplo. Eles são educados em sua sociedade que morrer sendo mártir é muito bom.

b) Egoísta – É apessoa que não quer saber mais da sociedade. Se cansou dela e quer sumir do mapa para resolver o seu problema. Esse é chamado de egoísta justamente porque não está pensando em ninguém, mas em si mesmo. Quer resolver o seu problema desligando-se da sociedade, sem pensar em quantos outros problemas vai estar criando, inclusive para sua família.

c) Anômico – Esse acontece quando a sociedade não lhe acolhe como deveria. Os laços dos que poderiam envolver o cidadão desaparecem. Isto significa que a sociedade falhou geral, que a igreja, a família, a escola e tudo mais o abandonou em sua angústia.

Falando sobre o que é cultura.


O que é Cultura?

De forma bem simples, podemos dizer que cultura é o modo de vida de cada pessoa ou grupo em determinada sociedade.
Todas as pessoas possuem um estilo de vida (maneira de falar, de se vestir, comidas preferidas, tradições) e esse estilo de vida é a sua cultura.

Pessoas sem cultura?

De forma nenhuma podemos dizer que há pessoas sem cultura, pois isso significaria dizer que elas não tem um estilo de vida.
O que acontece é que muitos confundem conhecimento acadêmico (estudos) como sendo cultura.
\mas um analfabeto, que vive à beira de um rio e exclusivamente da pesca, tem uma cultura (estilo de vida) que lhe ajuda a viver naquele local. Outra pessoa, doutora (em química, por exemplo), tem uma cultura (estilo de vida) que lhe ajuda a viver no meio em que escolheu viver.
O doutorado desta última seria praticamente inútil para uma vida de pescador, assim como seria praticamente impossível o analfabeto viver no meio acadêmico e de produção de conhecimento científico. Cada cultura serve para o seu local

Existe cultura que é melhor que outra?

As pessoas tendem a dizer que a cultura do branco é melhor que a do índio. Isso não é verdade.
Não há cultura que é melhor ou pior que outra, mas cada uma serve para o local onde ela foi criada.
Nós não conseguimos viver sem o computador, mas o índio consegue. O índio pode não conseguir viver sem caçar com o seu arco e flecha, mas nós temos o mercado pra fazer compras e por isso conseguimos.
Cada ferramenta criada só tem sentido para o local onde foi criada. Por isso não podemos dizer que os índios são inferiores a nós só porque eles querem viver na selva. É o estilo de vida que eles escolheram e, para tal, criaram vários métodos e ferramentas que só servem lá.

Muito interessante!

O engraçado disso tudo é que dentro de um país, como o Brasil, pode existir várias culturas.
Apesar de sermos todos brasileiros, é inevitável perceberemos que um gaúcho conversando com um baiano mostra que somos muito diferentes, culturalmente falando.
Temos o mesmo idioma, mas dependendo do local uma mesma palavra pode ter vários outros sentidos.
Somos todos brasileiros, mas no sul existem festas que não tem muita lógica lá no norte, e vice e versa. Já pensou os gaúchos fazendo a festa do “bumba meu boi”? Ou os nordestinos tomando chimarrão às três horas da tarde?
Isso é a diversidade cultural acontecendo dentro de um mesmo local.
Agora já pensou como essa diversidade pode ir além se um baiano casa-se com uma gaúcha e resolvem morar no Rio de Janeiro? Como serão seus filhos? Que cultura terão? Serão gaúchos, bainos ou cariocas? Ou um pouco de cada coisa? Interessante, né?